UM TREZE DE MAIO CELEBRADO DESDE NOSSOS SANTUÁRIOS DO LAR

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UM TREZE DE MAIO CELEBRADO DESDE NOSSOS SANTUÁRIOS DO LAR


Data: / 15/05/2020

Parecia tão distante os relatos daqueles cristãos católicos que viveram e, milhares que ainda vivem, o impedimento de expressar sua fé nas missas, nas cerimônias sacramentais e outros atos que expressam a fé.

Conheço uma história verídica de uma família católica russa, que me foi contada por um descendente. Ele contou que o vilarejo onde residiam seus avós e pais fora literalmente queimado, destruído pelo regime stanilista. Todas as casas a pequena igreja do vilarejo foram queimadas, porque eles eram católicos e praticavam a fé. Sabemos que o regime stanilista russo era radicalmente contrário à religião; eles a entendiam como uma ameaça à sustentação do regime.

De acordo com seu relato, no dia seguinte ao ataque, muitos que sobreviveram, voltaram aos escombros de suas casas para garimpar alguma coisa que ainda pudessem aproveitar. Seu avô resolveu fazer uma investida nos escombros da Igrejinha. Encontrou ali um pedacinho do quadro de Nossa Senhora que não tinha sido queimado e, com toda a devoção tomou esse pedacinho de papel, guardou e depois que construiu sua nova casa montou no seu porão um santuário do lar. Nele, a única relíquia que adornava esse espaço era o pedacinho de papel que lembrava a imagem de Nossa Senhora. Este lugar tornou-se o centro espiritual da casa, ali eles rezaram o terço por mais de trinta anos mantendo a fé e a esperança da vitória de Cristo sobre tudo aquilo que passavam. Destacamos que todo o culto religioso era proibido e, se praticado, a condenação era a morte.

Por que lembro essa história? Porque hoje estamos recolhidos em nossas casas transformadas em verdadeiros santuários do lar, para preservar a nossa vida e dos outros do nosso redor. Durante boa parte ao ano passado nossa comunidade paroquial passou preocupada em preparar com minúcias de detalhes as celebrações e toda a vida paroquial deste ano, pois celebramos 70 anos de sua criação. Planejamos nove meses de celebrações eucarísticas, reza das mil ave Marias, confraternizações e muitas outras atividades para marcar esse jubileu. Não chegamos, ainda, ao mês de outubro que será o ápice dessa grande celebração, mas a Mãe de Deus, já nestes dois meses que estamos sob isolamento social, quis nos ensinar que o amor e a devoção a Ela deve ser muito maior do que ir até a Igreja, que a fé é para ser vivida todos os dias; o amor deve ser tão grande que supere distâncias; e, que a esperança seja tão infinita que revele o próprio Deus no nosso coração.

Dia 13 de maio, foi o dia que se planejou uma grande festa para celebrar o final de uma trezena de orações, rezas e devoção a Ela. Isso fazia parte das celebrações deste jubileu, no entanto Ela quis que estivéssemos cada um em nossas casas para celebrarmos com Ela. Tivemos a graça de poder acompanhar pela página da Paróquia no Facebook, a missa às 16 h; no final da tarde o Momento Mariano, que precedeu a carreata pelas ruas da paróquia.

Estamos impedidos, por conta do isolamento social por causa da Covid 19, de nos reunirmos fisicamente no local “Igreja da Paróquia”, mas não estivemos impedimos de nos unir para rezar, de participar da missa, de comungar espiritualmente desde nossos santuários do lar.

Com isso podemos nos perguntar: o que nos ensina a história da família russa? Teria algum ensinamento que a Mãe de Deus gostaria de nos transmitir? Poderíamos nos sentir abençoados por passar por estes impedimentos para que nossa fé seja purificada, como o ouro, que precisa passar por altas temperaturas para tornar-se puro?

Cremos e temos a convicção de que a Mãe de Deus nos aponta para uma tarefa muito grande para nossa comunidade paroquial, pois na história de 70 anos, ora celebrada, a nossa comunidade paroquial, sob a Sua benção, tem uma importante contribuição à Igreja Arquidiocesana, o que nos impõe a pergunta: qual será o legado que ficará dessas aprendizagens justamente neste ano do Jubileu de 70 anos?

Frente a isso o que temos: a animação dos padres palotinos que, justamente vivem o carisma de propagar o ardor apostólico inspirados em seu fundador S. Vivente Pallotti; uma comunidade que quando convocada a rezar mil Ave Marias, reza duas mil; que se reúne de modo virtual, pelo menos o dobro de gente que reuniria numa celebração de missa presencial; que tem pessoas que alcançam recursos e expertise para as transmissões; comunidades religiosas que sustentam com seu testemunho a vida de fé e oração; leigos e leigas que vivem ardorosamente sua vocação; frente a este cenário nos perguntamos: o que Deus deseja que façamos pela sua obra de amor? Por tudo isso rezemos e dediquemos esse sacrifício, que ora fazemos, para que Ele se manifeste em Sua Glória.

Dia 13, podemos experimentar a força e a dinâmica de uma fé viva, forte e dinâmica originada nos passos alegres de Maria ao visitar Isabel e,dos doloroso no calvário, em razão da pandemia. 

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